Autoconhecimento

Entendendo a importância do autoconhecimento

Nos últimos 50 anos do século XX nós tivemos mais desenvolvimento tecnológico do que toda história anterior da humanidade. Seria o ápice da humanidade, mas tinha uma questão.  As questões centrais permaneceram. “Quem eu sou? Por que eu não sou feliz apenas quando eu possuo objetos? Por que o mal existe? Por que eu não tenho paz em meio tanta convivência?”

Nós vivemos hoje, segundo os filósofos, tempos, que são chamados de tempos líquidos. Eu sou parte desse tempo e você também.

O que seriam esses tempos líquidos? São tempos onde nós não temos mais certeza de nada.

E o que acontece? A ciência, dona da verdade absoluta, um espaço de conhecimento também que parece absolutamente confiável, na realidade, traz apenas uma perspectiva de provisoriedade. E estamos envolvidos nesse processo, no processo de nos sentirmos, de alguma forma, inseguros e encantados pela infinidade de possibilidades que nós temos para acessar e encontrar aquilo que nós buscamos, como seres humanos, que é o processo de autorrealização e a conquista da felicidade.

E o tema que quero conversar com você é o autoconhecimento. E então quero te fazer a seguinte pergunta:

Você se conhece?

Nós estamos acostumados em viver em uma sociedade na qual só olhamos para fora. Somos treinados o tempo todo a procura nas prateleiras do supermercado ou dos shoppings centers os produtos que vão garantir nossa felicidade e lá, pagando, numa sociedade absolutamente consumista que nós encontramos o sentindo das nossas vidas. Será?

Já diz o filosofo Baldan que nós vivemos um processo constante de coisificação do homem e das relações humanas. E nessa roda viva da vida, nós nos perdemos de nós mesmos. Um exemplo são as roupas, como é comum nós olharmos para as tendências de coma e dizermos, “mas como é possível que eu use essa roupa? Que coisa mais ridícula, mais feia, mais estranha, mais desconfortável”. Passa um mês e estamos nós, lá com a tal roupa. Por que será que isso acontece?

Por que nós somos, de certa forma, marionetes desse sistema que nos cria a grande armadilha de nós fugirmos de nós mesmos.

Então ao longo do tempo me vi perguntando “como é possível fugir dessa engrenagem tão perversa? ”  Será que é ou será que estamos fadados a ficar o tempo inteiro mergulhando nesse buraco negro que se cria em cada um de nós, e na realidade satisfazer as necessidades, é algo praticamente intangível?

Nós vivemos, como seres humanos, sentimentos de ansiedade, de insatisfação e não sabemos bem por quê. E escolhemos em função das escolhas que a sociedade nos coloca e nós desconectamos cada vez mais de nós mesmos.

Autoconhecimento, tão simples, trabalhado desde Grécia Antigas ou até muito antes. O que significa isso? Simples demais. Criar um tempo, uma pratica de olhar para mim mesmo.

Pessoas que não se autoconhecem são incapazes de produzir uma coisa preciosa nas relações interpessoais, chamada empatia. Sendo a empatia a capacidade que eu tenho de me colocar no lugar do outro, do ponto de vista do outro, calçar os sapatos do outro.

O que acontece que não temos mais condições de desenvolver a condição empática? Por que isso acontece? Isso acontece porque se meu ponto de partida, eu, é obscuro e desconhecido, como serei eu capaz de ler o outro?

É isso é possível. Carl Gustav Jung, nos diz que na realidade somos compostos por personagens interiores, e que, em vez de ficar o tempo todo me projetando para fora, eu deveria criar uma pratica de estimular para que a cultura ocidental, dentro do espaço onde eu atuo, pudesse de alguma forma, valorizar o processo de viajem interior.

E é aí que temos dentro de nós, personagens interiores que nós desconhecemos, que são chamados de Arquétipos.

Os Arquétipos

Os Arquétipos são justamente estes registros que são passados de geração para geração, relativos a experiências vividas pela humanidade, e que compõe nosso inconsciente coletivo.

Esse inconsciente coletivo é como se fosse as redes sociais, é uma espécie de rede social interna que cada um de nós possui, e que se comunica com a rede social interna do outro. E então a medida que me deixo seduzir, me deixo encantar por essa possibilidade de viajar para dentro de mim, eu começo a perguntar “Quem sou eu de verdade? Quem é você de verdade? ”.

Estudos da Universidade de Harvard vão mostrar que nós temos uma coisa chamado de centro de bem-estar, que também é de natureza arquetípica e que nos sinaliza se uma determinada experiência é considerada boa ou ruim, através de sensações.

Esse sinalizador interno , autorregulador que na realidade vai dizer “vai por aqui, não vá por ali”.

Por que somos tão surdos a esses centros? Porque não estamos conectados com nós mesmos. Autoconhecimento significa conexão. Sobre quatro grandes arquétipos, quatro grandes personagens interiores, que todo mundo tem dentro de si e que na realidade coordenam os nossos processos de: querer, pensar, sentir e fazer.  Na medida em que nós são entramos em contato com eles, eles acabam agindo individualmente, nos levando uma hora para um lado, outra hora para o outro. Quando o pensar não está conectado com o querer, que não está conectado com o sentir, que não está conectado com fazer, o que acontece conosco? Acontece essa vida organizada pela busca e desencontro do sentindo constante.

Se nós não nos autoconhecermos, se nós não investimos nessa escuta do centro de bem-estar acontece essa bagunça. A ideia é que esses quatro arquétipos andem juntos, ancorados ao nosso centro de bem-estar.

Se acontece isso, o que nós temos? Nós temos um ponto de partida, o gatilho dado para a nossa viajem de autoconhecimento.

E aí? E os conflitos que temos? Nós vamos conseguir resolve-los de forma adequada? Claro que sim, pois quando eu tenho clareza sobre mim mesma, sobre quem eu sou, eu não preciso entender o conflito com uma situação de disputa com o outro. Eu vou entender os conflitos como um problema que eu tenho para resolver e que na realidade eu enxergo o meu interlocutor como um parceiro para dirigir esse problema. Eu não estou em uma arena tentando derrubar outro. Não é uma relação de ganhar e perder, e sim uma relação de ganhar e ganhar.

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